quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

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SE ÉS CAPAZ...

Se és capaz,  em algum instante de tua vida...
que do espermatozóide de teu pai e do óvulo de tua mãe
te vejas ovo oriundo que és tu agora e está no mundo...
verás que dos que vêm de ti, dos teus ancestrais
e de todos que os geraram, é esta a lida.
Verás também pela história, que de ti e deles todos, é esta, a “glória”.
A produção estranha desta estranha raça
que prolifera à imagem e semelhança do éter fecundo,
tendo no cheiro do mais fino aroma ao fedor mais imundo
e embutida nela, a “divina” origem em qualquer desgraça!

Se és capaz,  em algum instante de tua vida...
que assim te vejas, nascido ou nascida e então “homem” ou “mulher”
e ainda que, se alguma aberração te é aferida
e traz a ti ou ao teu sexo dúvida qualquer
seja em tua física anatomia, seja em tua mental anomia
e ainda assim te vejas preso ou presa a todo este embaraço...
se de fato és capaz, verás de fato o que tu és!  -  que é...  o que estás!  -
Esta estranha porção de espaço!

Se és capaz, em algum instante de tua vida...
de ver-te ainda máquina criança com a placa mãe trazida
(por vêzes os circuitos já comprometidos)
pra operar de imediato os atávicos programas doutrinários
com os viciados vídeo e audio embutidos, cada um no seu espaço...
verás que o teu processador na caixa craniana,
se mal ou bem refrigerado, processa ainda que só em rugidos,
os teus primeiros “passo a passo”. E é dali que vês como chegaste aqui.
Se a cada passo tu és o que está passando...  ou se...
a cada passo  és o que tropeça em passo alheio ou no próprio passo!

E num instante, à feição do insight...  os programas!  -  TODOS !  -
Do mais “heavy” ao mais “light”! Dos mais “magros” aos mais “gordos”!
E o teu processador já “processado”,  processará “ iluminado ”...
a tua LEITURA!...  lida nas tuas memórias RAM e ROM!
Dos teus maus programas até aquele teu programa bom...
que é o de ver-te capaz desta proeza, no SINGULAR algum instante de tua vida!

E passarão... o teu instinto e sensação!  Teu sentimento e emoção!
Tua familia... passará! Os teus parentes, amigos e conhecidos... passarão!
Tuas atividades... teus negócios... profissão... a tua fé e as tuas crenças...
a tua filosofia e religião... as artes, as ciências e as letras... passarão!
O tudo e o nada... o sempre e o nunca!  E passará... a tua frustração!
Te passarão... o cosmo... a cosmologia... a cosmogonia...
E passará vagando... perdida no espaço... a teologia (?!)... e a tua ilusão!

Se de fato és capaz...  e isto te ocorrer...
verás então meu filho ou filha, que não se é homem ou mulher,
mas apenas movimento infinitésimo
assim como qualquer infinitésimo movimento desta imensa imensidão!


EU NÃO DIRIA!

Um dia, alguém morreu.
Eu não diria se homem ou mulher
pois cada um  se “veste” como quer.

Eu não diria se velho ou criança
pois a criança pode estar desiludida
e o velho ser a esperança.

Eu não diria se “gay” ou “sad”
já que essa “alegria” ou “tristeza” não se mede.
Nem se travestí ou transformista
já que “a coisa” não está à vista
e nem se hermafrodita
já que primeiro há que saber qual é a cuja dita.

Eu não diria se andrógeno
se assim eu revelasse o 'da Vinci' do Leonardo.
E eu não diria,  fosse o que morreu
um branco (azêdo?) ou preto/escurinho/negro,
amarelo, vermelho, mulato ou um pardo.

E quem morreu, tivesse ou não sido um pedófilo
também eu não diria
nem se era paisano ou fardado
ou mesmo um profissional de igreja
fosse de paróquia, templo ou qualquer que seja
ou apenas um simples admirador do diabo.

Também eu não diria se era ou não batizado
fosse na pia ou nas águas
ou se, como circuncidado o que morreu olhasse “aquilo”
e lhe viessem mágoas.

Se era espírita também eu não diria
nem se era de umbanda ou candomblé.
E não diria, se por outra seita
sobre a brasa andava e descalço o pé.
Ou se era um kardecista, tal como o Allan Kardec
que acreditava no espírito incorporado
só após a “entrevista”.

Eu não diria, fosse a sua cultura
aquela do oriente que é de fato oriental
podendo o que morreu ser hinduísta ou budista
ou mesmo um krishnamurtista
ou se morreu apenasmente um intelectual estúpido
ou simplesmente um estúpido intelectual.
Ou se quem fosse, fosse como um tal de Lula
(cujo remédio é diferente e não se lê a letrinha da bula)
assim mesmo eu não diria.

Se quem morreu, morreu tísico, fosse do ensino um físico
ou do Nada um metafísico, também eu não diria.

Enfim, podia profissão ter qualquer uma
fosse a de dentista ainda que  banguelo
ou fosse um correntista, fosse do que fosse e eu não diria
mesmo que fosse de corrente de um só elo.
Ou também que fosse um trapezista, ou nazista
ou qualquer judeu, fosse ele o do piano ou o do violoncelo.

Não diria ainda mais, se teve mãe ou pai
(se não é deles que estou tratando), ainda que o que morreu
pudesse ser também um pai ou mãe qualquer
mesmo se mãe homem ou se pai, mulher.

E se o que morreu fosse um poeta...
principalmente este eu não diria!
Ou teria que dizer que foi pateta!

Enfim... quem morreu, eu não diria!

Pois que... se quem morreu, tudo isso que foi dito inda levasse
seja pro céu, inferno, limbo ou purgatório
ou pra terra prometida...
ou ainda, se explodido às santidades
tivesse que levar “aquilo” em mil pedaços já colados com Viagra
e junto às mil virgens ter que explodir mil virgindades...
ou que fosse pro “astral”... enfim... vejam vocês!!!
FENOMENALLLLLLL !!!
Ainda que um problema dos diabos!  Ou dos anjos ?!
Ou mesmo quem sabe?...  dos querubins e dos arcanjos ?!


O Ivan em 1957, quando já começavam
a surgir estas questões.
____________________________________


A VIDA ENSINA

 Sim. A vida ensina.
? Mas...  o que é a vida que ensina
senão o próprio ensinamento que ela é.

? Mas...  o que é o ensinamento que vive
senão a própria vida que ele é.

? E o que sou eu, senão a vida
que me ensina o que estou.

? E o que estou eu, senão o ensino
que me vive como sou.

VIDA!  Isso que eu disse, eu sei  -  pois que senti !
quando TU mesma  -  isso que foi dito  -
a mim, TU o disseste !
E isso,  eu dizendo agora...  apenas repeti !

Obrigado VIDA !  Isso... foi CONTIGO  (em mim)
que aprendi !


O QUE VOS TRAGO...

Vou ...
e são os mesmos os meus passos.

Percorro ...
e são os mesmos os meus espaços.

E quando chego ...
são os mesmos os laços
que me amarram ao que vou
e ao que percorro
para estender meus braços.

É quando rogo  -  em abraços.

Perdoem-me amigos
se outra vez o que vos trago
   são os mesmos meus cansaços.


A PALAVRA QUE FALTAVA

Era um pensador... e poeta.
Um poeta pensador.

E pensava... qual palavra de seu verso
seria também seu anverso
sem lhe mudar a cor.

E pensava... se branco negro não é
nem se prazer é dor...
se ódio não é palavra
que também seja amor...

E pensava... qual palavra reuniria
numa só, verdade e mentira
e falso com verdadeiro
podendo mesmo expressar numa só,
rico e pobre... os dois sem dinheiro?

E pensava...

E pensava...

Pois bem, de tanto pensar... não pensou!
E foi assim, no SILÊNCIO...
que seu pensamento calou!

Já não haviam "ruídos"
que lhe impedissem os "ouvidos"
de ouvir, de todas... UM som!

E a palavra que faltava...
do seu verso era a única, que não cabia anverso.
Ela era o UNI-VERSO que ele então recebera...

o DOM!


A PLENITUDE E A SOLIDÃO

  A Plenitude... em qualquer lugar
de todos os lugares
total e absoluta
plenamente solidária à solidão
   contida em todo lugar do pleno ventre
como irmã!

      A Solidão... em qualquer lugar
     de todos os lugares da Plenitude
    plenamente solitária
    mas também, como a Plenitude
   plenamente solidária a Ela
    como uma plenitude anã!


FICHA SUJA!

Não é que isso me importe
pois sou político "frio"!

Não me intimido, sou forte.
E de dinheiro... sadio!

Embaralho o meu "baralho"
e preencho o meu vazio!

Se a minha voz não é baixa
é porque ganho no "grito"!

Sou orgulhoso e altivo!
Sem medo de espelho, me fito!

Não sou burro inteligente
nem inteligentemente burro.

Sou muito mais do que isso
se com a "barriga" eu empurro!

Sou importante e famoso!
Isto afirmo e não duvido!
É disto que tiro o meu gozo!

Não me faço apagado!
Dou-me luz! Sou colorido!

E não me desacreditem!
Pois que, eu mesmo me creio!

 Não digo que vou embora
pois aqui está meu "veio"!

Mas posso ir mundo afora.
Voar não me custa nada!

Não me falta nada à mesa!
Eu faço a minha "jantada"!

E se eu não temo nada
é que na "justiça" eu creio!

Pode até que eu me fantasie
sendo varinha de fada
que enche o meu "recheio"!

Sou apenas ficha suja.
duas pequenas palavras
com o sentido que alguém dê.

Por tudo isso repito:
Não é que isso me importe
pois que, para a minha sorte...
o babaca... é VOCÊ!

Sou apenas ficha suja!
Não tenho medo e não nego
pois sou aquele que vê!...
Você!... eleitor cego!


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